Jow notou a frustração do Goblin, e lhe disse:
– Se quer mesmo uma estrela, vá buscá-la, não procure nada semelhante, mate um dragão e use tuas asas para cruzar o Céu...
O goblin então revigorou o sorriso, que por mais que chamassem Jow de louco, lunático, insano, ele sabia que Jow raramente errava, o seguiu por muitas batalhas, não era dessa vez que erraria.
Então o Goblin seguiu rumo a uma nova jornada, e ao navegar de volta ao litoral onde a primeira vez buscara uma embarcação para tripular, onde ontem era apenas um goblin com um sonho louco de encontrar um estrela, hoje era temido por muitos, uns o chamavam para integrar suas tripulações, e outros para liderá-la, mas não era esse o seu sonho, não era a fama e sim as estrelas.
Rumou ao norte, em direção as montanhas de fogo, onde ouviu que um reino enfrentava sua ruína sob as asas do maior dragão que lançava fogo e devorava as cinzas de tudo que encontrava. O goblin sabia que se as asas de um dragão poderiam levá-lo aos céus, com certeza deveriam ser essas.
O Reino de Lorental era situado em meio às montanhas de fogo, um vale que tinha tudo para prosperar, pois o solo era fértil, e aos redores no sopé das montanhas se encontravam jazidas com os mais variados tipos de metal, sua posição estratégica central entre as 3 montanhas de fogo, permitiam uma ótima defesa contra ataques inimigos, mas não os ataques de dragão, que devastava todas as tentativas de plantação. O reino gastava tudo que conseguia com a mineração para repor os estragos causados pelo ataque e para alimentar a população, por isso o rei clamou aos quatro cantos do reino, para que pudessem destruir o dragão.
O último que apareceu foi o goblin, trajando uma armadura de couro e uma lança feita com ossos de um monstro marinho e aponta de diamante. Adentrou no palácio, sempre olhando em frente, se portando indiferente aos soldados que se acumulavam ao redor. Os soldados não sabiam o que fazer, um goblin, será que estava lá para atacar o rei? Um goblin andando sozinho? Um goblin com a audácia suficiente para enfrentar um castelo sozinho? Será que era louco? Será que era um servo do dragão que veio mandar um recado? Enquanto todos se perguntavam, nenhum tomava a frente para impedir o avanço do Goblin. Mas ao chegar à sala do torno, o Chefe da Guarda tomou conhecimento do avanço da pequena criatura e logo berrou aos seus soldados:
-Impeçam o avanço dessa criatura horrenda, não deixem que ele chegue nem a 20 passos do trono real!
As ordens do chefe da guarda pareceram surtir efeito aos guardas que tomaram a iniciativa de atacar o Goblin. Mas o pequeno guerreiro, calejado pelas inúmeras batalhas travadas com os Lunáticos, não se intimidou e com ímpeto de um verdadeiro goblin, saltou a frente desviando das estocadas dos soldados e atacando de maneira a apenas atordoar os guardas. Até chegar aos pés do trono e dizer:
- Onde mora o Dragão? Não quero perder tempo vasculhando as três montanhas de fogo.
- Como ousa invadir meus domínios? Adentrar ao meu palácio, e fazer meus guardas de palhaços? Se quiser a minha recompensa pelo Dragão deveria ter mais respeito!
- Não quero teu tesouro, quero apenas esse Dragão.
O rei ficou impaciente com o goblin, mas logo foi alertado por um de seus conselheiros, que não se tratava de um simples goblin, era um dos Lunáticos, possivelmente o rei se arrependeria de começar guerra com um dos melhores amigos do mais novo Senhor da Ilha dos Esquilos.
O rei aceitou indicar onde o Dragão possivelmente dormia, e até lhe entregou um mapa para se localizar melhor. Mesmo assim o Rei não tinha esperanças que um goblin poderia derrotar um Dragão com aquela magnitude, nenhum dos mais valorosos guerreiros que passaram por lá haviam conseguido, não importava se ele era membro dos Lunáticos, o que faria daquele goblin diferente o suficiente para derrotar o Dragão?
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